O caso de uma estudante de Belo Horizonte, em Minas Gerais, trouxe à tona um debate importante sobre o diabetes e Enem. Luciana Couto, de 22 anos, vive com diabetes tipo 1 e solicitou atendimento especializado na inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025. No entanto, mesmo com dois laudos médicos completos, ela recebeu duas negativas do Inep, órgão responsável pela prova. Por isso, o portal “Um Diabético” fez contato com o instituto para entender alguns pontos.
Novo direito, mas ainda sem garantia para todos
Desde a edição de 2025, o Enem passou a permitir o pedido de atendimento específico para pessoas com diabetes. Isso inclui a possibilidade de tempo adicional e o uso de dispositivos como sensor de glicose e bomba de insulina, essenciais para o controle glicêmico. Mesmo com esse avanço, o caso de Luciana mostra que nem todos os estudantes conseguiram acessar o novo recurso.
Ela enviou inicialmente um laudo de médico da família. Após a recusa, procurou sua endocrinologista, que elaborou um novo documento com o CID da condição, a descrição completa da necessidade de tempo extra e todos os dados exigidos pelo edital. Mesmo assim, o Inep recusou novamente.
O que diz o edital do Enem
Após contato do portal “Um Diabético”, o Inep respondeu ao caso com trechos do edital oficial. Segundo o documento, o participante deve apresentar um laudo legível, em português, com as seguintes informações:
- Nome completo do estudante;
- Diagnóstico com descrição da condição ou código CID-10;
- Assinatura do profissional responsável e número do CRM.
Além disso, quem solicitar tempo adicional precisa justificar esse pedido no próprio laudo, explicando a relação entre a condição de saúde e a necessidade extra durante a prova.
Apesar da negativa no pedido de atendimento, o edital também afirma que os estudantes podem levar materiais próprios, mesmo sem aprovação do Inep, desde que estejam listados como permitidos. Entre eles estão: bomba de insulina, medidor de glicose, bolsa de colostomia e outros dispositivos de apoio.
Diabetes e Enem: o uso do sensor ainda causa dúvidas
O uso de sensores de glicose durante provas como o Enem ainda levanta questões práticas e jurídicas. Em 2024, um estudante no Rio Grande do Sul foi retirado da sala de prova após o alarme do sensor tocar. O caso gerou repercussão nacional e foi um dos fatores que levou o Inep a atualizar as regras para 2025, incluindo o atendimento especializado para pessoas com diabetes.
No entanto, como aconteceu com Luciana, a aplicação prática dessa regra ainda apresenta obstáculos. Embora o edital reconheça a possibilidade de levar o sensor, muitos candidatos temem sofrer represálias ou não ter suas necessidades respeitadas no dia da prova.
Falta de transparência preocupa estudantes
Luciana está em seu quarto ano de cursinho, tentando uma vaga em medicina. Segundo ela, a falta de aprovação no atendimento especializado pode prejudicar o controle do diabetes durante a prova, aumentando as chances de hipoglicemia ou hiperglicemia. A jovem afirma que já teve episódios anteriores de descontrole glicêmico por nervosismo e longas horas de jejum durante a realização do Enem.
Mesmo após as duas negativas, ela não recebeu detalhes sobre o motivo da recusa, o que aumenta a insegurança de outros candidatos que enfrentam a mesma situação. A estudante já perdeu o prazo para novo recurso e, por isso, deve prestar o Enem deste ano sem o direito ao tempo adicional.
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