O impacto financeiro do diabetes vai muito além dos medicamentos. Em 2024, o Brasil gastou 45,1 bilhões de dólares com tratamentos e cuidados relacionados à condição. O valor colocou o país na 3ª posição entre os maiores gastos com diabetes no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, segundo o Atlas do Diabetes, divulgado pela International Diabetes Federation (IDF). Segundo o endocrinologista membro da Sociedade Brasileira de Diabetes, Marcio Krakauer:
“Os gastos de 45 bilhões, com certeza não são eficientes. Suficientes eu acredito que seriam, sabe? Suficientes é uma coisa, agora é eficiente não.“
Gasto com diabetes global ultrapassa 1 trilhão de dólares
No total, os custos globais com diabetes chegaram a 1,015 trilhão de dólares em 2024, o que representa 12% de todo o gasto mundial em saúde. Esse número considera, no entanto, apenas adultos entre 20 e 79 anos. Os dados mostram que o diabetes se tornou uma das condições crônicas mais caras do mundo.
O IDF acompanha essas estimativas desde 2006. Em 2007, os gastos globais somavam 232 bilhões de dólares. Desde então, o aumento foi constante, atingindo um crescimento de 338% ao longo de 17 anos.
Os custos diretos envolvem tudo o que o paciente, os planos de saúde ou o próprio governo precisam pagar para tratar o diabetes. Isso inclui consultas médicas, internações, exames, medicamentos, sensores de glicose e principalmente a insulina.
Tabela: países que mais e menos gastaram com diabetes em 2024
Abaixo estão os países que tiveram os maiores e menores gastos com diabetes, de acordo com o Atlas do Diabetes 2024:
| Posição | País | Gasto com diabetes (USD bilhões) |
|---|---|---|
| 1º | Estados Unidos | 404,5 |
| 2º | China | 168,9 |
| 3º | Brasil | 45,1 |
| 4º | Alemanha | 40,4 |
| 5º | Japão | 34,0 |
| 6º | Reino Unido | 23,6 |
| 7º | França | 22,5 |
| 8º | México | 19,5 |
| 9º | Argentina | 15,4 |
| 10º | Itália | 15,4 |
| — | Nauru | 1,7 (menor valor registrado) |
| — | Niue | 0,8 (menor valor registrado) |
Por que o gasto com diabetes é tão alto no Brasil
Vários fatores explicam os altos custos de diabetes no Brasil. O diagnóstico muitas vezes acontece tarde, quando o paciente já apresenta complicações. Isso exige tratamentos mais complexos. Além disso, nem todos conseguem manter o controle da glicose com regularidade, o que também agrava o quadro clínico. O endocrinologista membro da Sociedade Brasileira de Diabetes, Marcio Krakauer sugeriu:
“O gasto é muito mais para pagamento de dívidas relacionadas às complicações do diabetes. Então, eu acho que o gasto é grande, está em terceiro lugar, e não é investimento, mas gasto.“
Outro ponto importante é o acesso desigual ao cuidado. Enquanto algumas pessoas conseguem atendimento com frequência, outras enfrentam barreiras para consultas, medicamentos e exames. Isso gera uma sobrecarga no sistema e aumenta os gastos totais.
Investir no cuidado ajuda a economizar no futuro
Mesmo com números altos, o investimento em prevenção pode reduzir os custos de diabetes no Brasil nos próximos anos. Com diagnóstico precoce, tratamento contínuo e acompanhamento correto, o sistema de saúde gasta menos com emergências, cirurgias e longas internações.
Campanhas educativas, mudanças no estilo de vida, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios também ajudam no controle da doença. Mas a realidade não é tão próxima disso.
O Brasil aparece entre os três países que mais gastam com diabetes no mundo, com 45,1 bilhões de dólares investidos em 2024. O dado reflete tanto a gravidade da situação quanto a urgência de melhorar políticas públicas de prevenção e tratamento. O Atlas do Diabetes da IDF reforça que o problema é global, mas precisa de soluções locais.
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