Controlar o diabetes exige atenção constante com a alimentação. No entanto, o que muitas pessoas não sabem é que não se trata apenas de olhar para o açúcar ou para os carboidratos. De acordo com a endocrinologista Denise Franco, vários fatores relacionados aos hábitos alimentares afetam diretamente os níveis de glicose no tratamento. Por isso, entender como o corpo reage aos diferentes elementos da alimentação ajuda a melhorar o controle do diabetes tipo 1 e tipo 2.
O papel dos carboidratos na alimentação
Ao pensar em glicose, o primeiro elemento que vem à mente é o carboidrato. Segundo Denise Franco, esse nutriente merece atenção, principalmente quanto à quantidade e à qualidade.
“A gente conta o carboidrato porque aquela subida, quem usa sensor, sabe, como é o carboidrato de absorção rápida, a curva é rápida, bem rápida”, explicou a médica.
Por isso, trocar alimentos com alto índice glicêmico por opções integrais ou de absorção lenta ajuda a evitar picos de glicemia. Pães, massas e arroz brancos podem ser substituídos por versões integrais. Frutas com casca, legumes e verduras também contribuem para reduzir a velocidade de absorção da glicose no organismo.
Gordura, proteína e outros elementos também importam
Além dos carboidratos, a gordura e a proteína presentes nas refeições influenciam no controle do diabetes. Embora tenham impacto menor e mais lento nos níveis de glicose, esses macronutrientes podem interferir no tempo de ação da insulina ou modificar a resposta do organismo após uma refeição.
Denise destaca que é necessário olhar para o conjunto da alimentação, não apenas para o carboidrato:
“Esse é um dos principais fatores que a gente ajusta é a quantidade de carboidrato que eu estou ingerindo e a qualidade desse carboidrato. Mas a gente não pode esquecer que tem gordura, tem proteína.”
Dessa forma, combinar os nutrientes de maneira equilibrada nas refeições é uma estratégia importante para manter os níveis de glicose estáveis ao longo do dia.
O álcool e a cafeína também influenciam
O consumo de bebidas alcoólicas e de café afeta a glicemia e deve ser considerado no planejamento alimentar de quem vive com diabetes. Dependendo da situação, o álcool pode causar tanto aumento quanto queda da glicose no sangue. Já a cafeína pode interferir na ação da insulina e alterar a resposta do organismo aos alimentos.
“A gente tem, por exemplo, se eu ingerir álcool ou não ingerir álcool, o álcool faz parte da nossa alimentação, o uso de cafeína. A gente pode ter hiperglicemia ou pode até acelerar a nossa chance de ação da insulina”, afirmou Denise Franco.
Com isso, a orientação é monitorar os efeitos dessas substâncias individualmente e, se necessário, ajustar as doses de insulina ou os horários das refeições.
Hidratação e horários das refeições
Além do que se come, o momento em que se come e o estado geral do corpo influenciam o controle glicêmico. A endocrinologista chama a atenção para a hidratação, que interfere no funcionamento do organismo e na absorção dos nutrientes.
“O grau de hidratação e o tipo de microbiota que a gente tem […] estão aí dentro da alimentação, são os principais ligados à alimentação, os subtipos aí que a gente pode falar que são os fatores que estão associados”, disse.
Outro ponto importante é o horário das refeições em relação ao pico de ação da insulina. Quem faz uso de insulina deve considerar o tempo que ela leva para agir no corpo e, assim, ajustar a alimentação para evitar hipoglicemias ou hiperglicemias.
Alimentação e diabetes: equilíbrio e atenção aos detalhes
Ao reunir todos esses fatores, fica claro que o controle do diabetes não depende apenas de cortar o açúcar. É necessário observar a composição dos pratos, o momento das refeições, a hidratação, o consumo de bebidas como café e álcool e até a saúde intestinal.
Adotar hábitos para equilibrar a alimentação e diabetes envolve atenção, planejamento e, muitas vezes, orientação profissional.
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