Sexta-feira à noite. Depois de uma semana puxada, é comum surgir a vontade de relaxar, encontrar amigos ou simplesmente abrir uma cerveja para marcar o fim do dia. Mas quem tem diabetes precisa pensar nesse hábito com mais atenção, principalmente com o próprio tratamento.
O consumo de bebidas alcoólicas por pessoas com diabetes levanta dúvidas importantes: é seguro? Qual a quantidade permitida? Cerveja sem álcool é uma boa opção?
A resposta exige planejamento e acompanhamento. Mesmo que o consumo moderado seja possível em alguns casos, o álcool interfere na glicemia e pode causar complicações se não houver orientação profissional
Qual a quantidade de cerveja é considerada segura?
De acordo com a American Diabetes Association (ADA) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), pessoas com diabetes podem consumir álcool dentro dos seguintes limites:
- Mulheres: até 1 dose de álcool por dia — o que equivale a 350 ml de cerveja
- Homens: até 2 doses por dia — ou seja, 700 ml de cerveja
Esses valores representam o limite máximo diário para adultos com diabetes compensado, sem complicações e em tratamento contínuo. Mas, isso não significa que o consumo seja incentivado, especialmente de forma rotineira.
O ideal é que cada pessoa converse com o profissional de saúde que acompanha seu caso para avaliar se o consumo ocasional é viável — e em quais condições.
Como o álcool afeta a glicemia?
A cerveja, por conter carboidratos, pode elevar os níveis de glicose rapidamente. Em seguida, o álcool interfere no funcionamento do fígado, que passa a priorizar a metabolização da substância em vez da liberação de glicose no sangue.
Esse processo pode provocar hipoglicemias tardias, principalmente em quem utiliza insulina ou medicamentos que reduzem a glicemia. O risco aumenta se a bebida for consumida em jejum ou após atividade física.
“O álcool pode mascarar os sintomas da hipoglicemia. Isso é perigoso porque a pessoa pode não perceber o que está acontecendo e não agir a tempo”, explica a endocrinologista Denise Franco.
O que dizem os estudos
A Federação Internacional de Diabetes (IDF) estima que o Brasil tenha mais de 16 milhões de pessoas adultas com diabetes. Por isso, o país está entre os cinco com maior número de casos no mundo.
Um estudo publicado na Scientific Reports identificou que o consumo frequente de álcool está associado ao aumento do risco de desenvolver diabetes tipo 2. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que não há nível seguro de consumo de álcool para a saúde.
Já a ADA, que orienta pessoas com diabetes em nível global, admite que o consumo leve pode ser tolerado em alguns casos. É importante fazer acompanhamento, nunca em jejum, e com alimentação balanceada
E a cerveja sem álcool?
As chamadas cervejas “zero álcool” podem parecer uma escolha mais segura, mas é importante observar os rótulos. Algumas versões possuem quantidades semelhantes ou até maiores de carboidratos do que a cerveja tradicional.
Cuidados importantes antes de consumir cerveja
Se a pessoa com diabetes optar por consumir cerveja ocasionalmente, ela deve adotar alguns cuidados:
- Não consumir álcool em jejum
- Sempre comer junto com a bebida
- Monitorar a glicemia antes, durante e até 24 horas depois
- Ter à mão uma fonte de glicose de ação rápida (como suco ou bala)
- Evitar o consumo após treinos ou esforço físico
- Estar atento a sinais de hipoglicemia, como sudorese, fraqueza ou confusão mental
- Informar o profissional de saúde sobre o consumo de álcool
O consumo de cerveja por pessoas com diabetes não é proibido, exige cuidado. Conhecer os riscos, respeitar os limites e manter o monitoramento são atitudes fundamentais.
Se hoje é sexta-feira e a vontade de brindar apareceu, vale lembrar: mais importante do que a bebida é o equilíbrio.
Converse com seu médico, observe a resposta do seu corpo e, se for beber, faça isso com responsabilidade
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