Pessoas com diabetes enfrentam riscos mais altos de desenvolver problemas nos rins, especialmente quando mantêm níveis de glicose e pressão arterial descontrolados por longos períodos. No entanto, com o tempo, esse descontrole danifica os pequenos vasos sanguíneos dos rins, prejudicando a filtragem adequada dos resíduos do organismo. Quando isso acontece, os rins saudáveis começam a apresentar lesões, abrindo caminho principalmente para a Doença Renal Crônica (DRC).
O que aumenta o risco de Doença Renal Crônica?
Diversos fatores ampliam o risco de DRC em pessoas com diabetes. Fumar, consumir alimentos com muito sal, levar uma vida sedentária, estar com sobrepeso ou obesidade contribuem para o problema. Além disso, doenças cardíacas e histórico familiar de insuficiência renal também aumentam as chances.
Por outro lado, quem desenvolve a DRC passa a ter risco ainda maior de sofrer doenças cardíacas e vasculares. Por isso, a prevenção se torna essencial para quem quer manter rins saudáveis com diabetes.
Estratégias diárias para proteger os rins
Adotar uma rotina de cuidados diários ajuda a prevenir e a controlar os danos renais causados pelo diabetes. Veja abaixo os principais passos.
1. Controle da glicose
Manter a glicemia controlada ao longo do tempo reduz consideravelmente o risco de progressão da DRC. Para isso, é essencial definir metas claras junto à equipe médica.
No caso do diabetes tipo 2, medicamentos como inibidores de SGLT-2, por exemplo, Forxiga, Jardiance ou Steglatro, auxiliam na eliminação de glicose pelos rins. Além de melhorar o controle glicêmico, esses remédios favorecem a perda de peso, controlam a pressão arterial e protegem o coração.
Outra opção importante é o Kerendia (finerenona). Médicos indicam esse medicamento especialmente quando há alto risco de progressão da doença renal ou presença de doenças cardíacas. Em muitos casos, o uso de Kerendia junto com inibidores de SGLT-2 melhora os resultados do tratamento.
2. Controle da pressão arterial
Controlar a pressão alta se mostra essencial para preservar os rins. Para isso, muitos pacientes precisam adotar mudanças no estilo de vida e usar medicamentos. A meta é manter a pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg.
Medicamentos como os inibidores da ECA e os bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRAs) ajudam a proteger tanto o coração quanto os rins. No entanto, médicos avaliam caso a caso. Se a pressão já estiver normal e a função renal não estiver comprometida, esses remédios podem não ser necessários.
3. Alimentação equilibrada e controle de proteínas
Montar uma alimentação saudável contribui diretamente para o controle da DRC. Quando a doença já se encontra no estágio 3, os especialistas recomendam limitar o consumo de proteínas. Essa medida pode ajudar a retardar a progressão da doença.
Por outro lado, quem já faz diálise precisa consumir mais proteína para evitar desnutrição. Por isso, o acompanhamento de um nutricionista também se torna essencial.
4. Realização de exames anuais
A melhor maneira de detectar problemas renais precocemente é manter exames de rotina em dia. Quem tem diabetes tipo 2 ou vive com diabetes tipo 1 há mais de cinco anos, deve realizar dois testes importantes todos os anos.
O principal exame é o de relação albumina-creatinina urinária, que mede a quantidade de proteína eliminada na urina. Esses testes ajudam os médicos a identificar problemas renais em estágio inicial, o que permite adotar medidas rápidas para evitar o agravamento do quadro.
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