A glicose alta por longos períodos pode causar danos sérios à saúde de quem vive com diabetes. Mas será que uma glicemia alta por algumas horas já é motivo de preocupação? Durante o episódio especial do DiabetesCast, dois endocrinologistas renomados, Dra. Denise Franco e Dr. Fernando Valente, trouxeram respostas claras e orientações práticas para quem convive com a condição.
Glicose alta nem sempre é um sinal de alerta imediato
O maior risco não está em um pico isolado, mas sim na glicemia alta que se mantém ao longo de semanas, meses ou anos.
“Uma glicemia alta momentânea, isolada, não é suficiente para causar complicações graves. O perigo está em deixar isso acontecer de forma repetida ou contínua”, explicou Dra. Denise.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o diagnóstico de diabetes é confirmado quando a glicemia de jejum está igual ou acima de 126 mg/dL em duas medições, ou quando a hemoglobina glicada está igual ou superior a 6,5%. Se esses valores forem detectados, o ideal é buscar avaliação médica rapidamente para confirmação do tipo de diabetes e principalmente para o início do tratamento adequado.
O que a glicose alta pode causar?
Quando a glicose permanece alta com frequência, o açúcar em excesso no sangue começa a danificar vasos sanguíneos, o que pode levar a:
- Problemas na visão (retinopatia);
- Comprometimento dos rins (nefropatia);
- Perda de sensibilidade nos pés (neuropatia);
- Riscos de infarto e AVC.
“Metade das pessoas com diabetes tipo 2 nem sabe que tem a condição justamente porque os sintomas são silenciosos. Isso é perigoso”, alertou Dr. Fernando.
Segundo a International Diabetes Federation (IDF), cerca de 50% dos adultos com diabetes no mundo ainda não receberam o diagnóstico.
Diagnóstico correto faz diferença no tratamento
Tom Bueno, apresentador do podcast, compartilhou sua experiência:
“Demorei quase quatro meses até receber o diagnóstico correto de diabetes tipo 1. Durante esse tempo, tomei remédio oral e a glicose seguia alta”.
Esse tipo de erro no diagnóstico pode atrasar o início do tratamento correto, colocando principalmente o paciente em risco. Dra. Denise reforçou que identificar corretamente o tipo de diabetes — tipo 1, tipo 2 ou outros — é fundamental para seguir o tratamento mais adequado.
O que fazer quando a glicose está alta
Se a glicose está frequentemente fora do alvo, é importante tomar algumas atitudes:
- Monitorar a glicemia com frequência (ponta de dedo ou sensor);
- Tomar corretamente a medicação prescrita;
- Avaliar com o médico se o tratamento atual está funcionando;
- Ajustar alimentação e rotina de atividades físicas.
A American Diabetes Association (ADA) recomenda que adultos com diabetes tipo 1 ou tipo 2 mantenham a glicemia entre 80 e 130 mg/dL em jejum e abaixo de 180 mg/dL após as refeições.
“Se você está fazendo a sua parte e a glicose continua alta, talvez seja hora de revisar a estratégia com o seu médico”, reforçou Dra. Denise.
Segundo ela, mudanças na alimentação, rotina de sono, atividade física, mas também o ajuste da dose medicamentosa podem ser necessários para atingir o controle ideal.
Assista ou ouça o episódio completo
Quer entender melhor como a glicose alta afeta o corpo e como agir para evitar complicações? Então, assista ao episódio completo no canal Um Diabético no YouTube ou ouça no Spotify. A informação certa pode transformar sua forma de conviver com o diabetes, mas também de quem auxilia uma pessoa com a condição no dia a dia.
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