Novos resultados sobre uma possível terapia para o diabetes tipo 1 chamaram atenção no Congresso da ADA (Associação Americana de Diabetes) e também chegaram às páginas do New England Journal of Medicine (NEJM). A pesquisa, que já havia mostrado sinais promissores anteriormente, agora apresenta dados atualizados após 12 meses de acompanhamento. Dessa vez, os cientistas confirmaram a produção contínua de insulina a partir de células desenvolvidas em laboratório, trazendo novas esperanças para pessoas que convivem com a condição.
O portal “Um Diabético” conversou com a dra. Melanie Rodacki, endocrinologista e que publicou um vídeo nas redes sociais animada com o avanço da terapia.
“Em 12 meses, todos pacientes que receberam a dose completa tinham se livrado de hipoglicemias graves. Todos tinham hemoglobina glicada abaixo de 7% e mais de 70% de tempo no alvo. 10 dos 12 pacientes ficaram independentes de insulina (83%). Houve produção de insulina nos pacientes que receberam o tratamento.“
Além disso, dra. Melanie ainda cita que a maioria dos pacientes ficaram independentes da insulina. Ou seja, não precisaram mais aplicar. Ela ainda falou sobre os efeitos colaterais que foram observados durante a análise.
“10 dos 12 pacientes ficaram independentes de insulina (83%). Houve produção de insulina nos pacientes que receberam o tratamento. Os efeitos colaterais mais comuns foram leves a moderados: dor de cabeça, diarréia, náuseas, infecção por coronavirus, lesão de pele, aftas na boca. Uma diminuição dos glóbulos brancos (Neutropenia) foi o efeito colateral grave mais comum. Duas mortes aconteceram.“
Células-tronco e produção de insulina no diabetes tipo 1
Nesta nova etapa do estudo, os pesquisadores utilizaram células-tronco alogênicas. Ou seja, as células utilizadas não vinham da própria pessoa com diabetes tipo 1, mas de um doador. A equipe conseguiu transformá-las em ilhotas pancreáticas completas, compostas por células que produzem insulina. Depois disso, os médicos aplicaram essas ilhotas em uma veia próxima ao fígado dos participantes.
A partir desse procedimento, o corpo das pessoas começou a produzir insulina por conta própria. O acompanhamento ao longo de 12 meses confirmou que as células permaneceram ativas durante todo esse período, representando um avanço importante no tratamento do diabetes tipo 1. Dra. Melanie ainda comentou sobre
Uso de imunossupressores ainda é necessário
Apesar dos resultados animadores, esse tipo de terapia ainda depende do uso de medicamentos imunossupressores. Esses remédios impedem que o corpo rejeite as novas células implantadas. No entanto, eles também aumentam o risco de infecções e outros problemas. Por isso, os testes estão sendo realizados apenas com pessoas que vivem com formas mais graves da doença, como aquelas que têm hipoglicemias severas ou não percebem quando os níveis de açúcar caem demais.
Os cientistas seguem pesquisando uma alternativa que não exija o uso desses medicamentos. O objetivo, no futuro, é oferecer esse tipo de tratamento para um número maior de pessoas com diabetes tipo 1, com mais segurança e menos efeitos colaterais.
“Como é necessário o uso de imunossupressores para evitar ataque imunológico às células infundidas, os riscos de uso para pessoas com diabetes tipo 1 sem hipoglicemias graves e/ou assintomáticas ainda não compensa os benefícios. Estudos estão em andamento visando conseguir o uso de transplante de células produtoras de insulina sem necessidade de imunossupressão para pessoas com diabetes tipo 1.” – afirma dra. Melanie
Encapsulamento de células ainda enfrenta desafios
Enquanto isso, outras estratégias também estão em desenvolvimento. Uma delas envolve encapsular as células antes de colocá-las no corpo, justamente para evitar o uso de imunossupressores. Uma empresa chamada Vertex, que também participa dos estudos com a terapia celular, testou recentemente uma nova versão chamada VX-264.
Nesse caso, os cientistas implantaram células encapsuladas em pessoas com diabetes tipo 1, mas infelizmente não observaram uma produção adequada de insulina. Embora o procedimento tenha se mostrado seguro, os resultados não atingiram o efeito esperado. A produção de insulina não foi suficiente para controlar os níveis de glicose no sangue.
Pesquisas continuam para pessoas com diabetes tipo 1
Mesmo com os obstáculos, a ciência segue avançando. O estudo com as células-tronco de doadores que produzem insulina por 12 meses representa um passo importante. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de métodos mais seguros e eficazes continua em ritmo acelerado.
A busca por uma terapia capaz de controlar o diabetes tipo 1 sem depender de insulina externa segue como um dos grandes objetivos da medicina atual. As próximas fases desses estudos devem trazer mais dados, e novos testes já estão previstos para os próximos meses.
Enquanto isso, pessoas com diabetes tipo 1 seguem acompanhando com atenção cada nova descoberta. Afinal, cada avanço representa a chance de viver com mais liberdade, controle e qualidade de vida.
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