Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), junto com especialistas de outras instituições, identificaram uma nova forma de melhorar o cuidado com pessoas que convivem com diabetes. Utilizando inteligência artificial, a equipe conseguiu prever quais pacientes correm mais risco de serem internados, analisando dados clínicos coletados ao longo de dois anos.
O estudo, publicado nos Archives of Endrocrinology and Metabolism, mostrou como o uso da tecnologia pode ajudar na prevenção de hospitalizações por diabetes.
Inteligência artificial aponta quem corre mais risco
A equipe analisou, primeiramente, os prontuários de 617 pessoas com diabetes que receberam atendimento ambulatorial entre 2015 e 2017, em um hospital público localizado no Rio Grande do Sul. Durante esse período, pelo menos 105 pacientes precisaram ser hospitalizados uma ou mais vezes, o que chamou a atenção dos pesquisadores.
Com base nesses registros, os especialistas aplicaram diferentes modelos de inteligência artificial para avaliar o risco de hospitalização. Além disso, testaram diversos algoritmos de aprendizado de máquina, buscando identificar padrões que pudessem prever complicações. Entre todas as combinações analisadas, uma se destacou por apresentar alto desempenho: os pesquisadores alcançaram 93% de acerto na previsão dos casos de internação, resultado considerado expressivo para aplicação clínica.
Portanto, o uso dessas ferramentas avançadas mostra grande potencial para otimizar o cuidado com pessoas que vivem com diabetes, permitindo antecipar situações de risco e aprimorar as estratégias de acompanhamento médico.
O que os dados clínicos revelaram
A análise dos dados permitiu que os cientistas encontrassem padrões comuns nos casos mais graves. Esses fatores ajudam ainda mais os profissionais de saúde a entender melhor quem precisa de atenção redobrada. Veja os principais achados:
- Consultas frequentes: Pessoas que marcaram mais consultas ambulatoriais também apresentaram maior risco de internação. Esse detalhe pode indicar que o quadro de saúde já exigia cuidados complexos;
- Função renal variável: Pacientes com grandes variações na taxa de filtração dos rins (eGFR) também demonstraram maior risco. Como os rins são frequentemente afetados pelo diabetes, essa alteração sinaliza possível piora no controle da doença;
- Faixas etárias com mais risco: Jovens com menos de 24 anos e adultos entre 65 e 70 anos apareceram com maior taxa de hospitalizações. Entre os mais jovens, o diabetes tipo 1 e a falta de adesão ao tratamento se destacaram como motivos. Já entre os mais velhos, os pesquisadores ainda investigam os fatores que explicam essa tendência.
Como a inteligência artificial melhora o cuidado com o diabetes
Com esses dados em mãos, médicos podem ajustar o acompanhamento e o tratamento dos pacientes de forma muito mais precisa. A tecnologia ajuda a identificar, com antecedência, quem tem maior chance de complicações. Assim, os profissionais conseguem agir antes que o quadro se agrave.
Além disso, o sistema de saúde pode se beneficiar ao usar essa ferramenta para otimizar o uso de recursos. Prevenir internações evita gastos com emergências e permite oferecer atendimento mais rápido e eficaz para quem realmente precisa.
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