A falta de insulina na rede pública de saúde tem prejudicado diretamente pessoas com diabetes tipo 1 no litoral paulista. Moradora de Santos (SP), Katia Baixo relata que a filha, Bruna Baixo, de 21 anos, enfrenta dificuldades no acesso à insulina rápida fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, o problema se arrasta há, pelo menos, três meses.
Trocas constantes e falta de insulina rápida dificultam o tratamento
Bruna convive com diabetes tipo 1 desde os 11 anos e depende de insulina para o bem-estar. De acordo com Katia, o fornecimento no município nunca mantém uma regularidade, tanto em relação à entrega quanto à marca do medicamento. Ela explica que, em alguns momentos, o SUS entrega NovoRapid, e em outros, Humalog, sem aviso prévio sobre as mudanças.
Em seu relato, Katia afirma:
“A falta ou atraso de entrega da mesma é muito complicado ou até mesmo a troca de insulina sem prévio aviso.“
Inicialmente, Katia retirava as insulinas pela rede estadual, mas, devido à instabilidade das entregas, passou a depender da distribuição municipal. No entanto, a troca de gestão não resolveu o problema.
Família busca alternativas enquanto espera a regularização
Sem receber a insulina no prazo necessário, Katia explica que precisa improvisar para garantir o tratamento da filha. Além de precisar comprar o medicamento por conta própria, ela conta com o apoio de outras pessoas da comunidade.
“Temos que nos virar quando não recebemos a medicação na data certa, comprar, pedir para alguém, trocar por outros produtos de diabetes com o grupo que fazemos parte“, desabafa Katia.
Esse tipo de improviso, embora comum entre famílias que enfrentam a falta de insulina, pode comprometer a rotina de cuidado com a glicemia e gerar riscos para a saúde de quem depende da medicação todos os dias.
Secretaria de Saúde de Santos se posiciona sobre a falta de insulina
Diante do caso, o portal “Um Diabético” procurou a Secretaria de Saúde de Santos (SP) para entender o motivo da descontinuidade no fornecimento. Em nota, a gestão municipal confirmou que o problema existe e que a empresa fornecedora não tem cumprido o cronograma de entregas.
“A Secretaria de Saúde de Santos informa que o fornecedor está em atraso com a entrega da insulina, não tendo cumprido as duas últimas datas de entrega. A alegação da empresa é que a falta de matéria-prima no mercado está impactando no fornecimento. A Prefeitura de Santos segue na cobrança reiterada pelo cumprimento do contrato.“
Mesmo com os pedidos insistentes da prefeitura, a situação permanece indefinida. A cidade, assim como outros municípios do país, lida com os efeitos da escassez de insumos no mercado farmacêutico, o que afeta diretamente o estoque de insulinas essenciais para pacientes como Bruna.
Governo do Estado ainda não respondeu
O portal também procurou a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo para questionar sobre a distribuição estadual de insulinas e possíveis falhas logísticas. Até o fechamento desta reportagem, o governo estadual não respondeu ao pedido de posicionamento.
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