O Brasil acaba de dar um passo na luta pela independência na produção de insulina. Em um anúncio feito nesta semana, o Ministério da Saúde confirmou uma parceria inédita que vai permitir a produção nacional da insulina glargina, de ação prolongada. Essa, portanto, é uma ótima notícia para brasileiros com diabetes, que hoje dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) para continuar o tratamento.
Parceria estratégica com tecnologia internacional para produzir insulina glargina
A iniciativa junta o que há de melhor em ciência, indústria e inovação. De um lado, o Ministério da Saúde, junto com Biomanguinhos (Fiocruz), referência em saúde pública no país. Por outro lado, a empresa Biomm, uma gigante da biotecnologia nacional, e a farmacêutica chinesa Gan&Lee, responsável pela tecnologia da insulina.
Essa parceria, chamada de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), prevê a entrega de 20 milhões de frascos de insulina glargina ainda em 2025. E o melhor: boa parte já será embalada aqui mesmo, no Brasil, na recém-inaugurada fábrica da Biomm em Nova Lima (MG).
Uma fábrica moderna e com potencial de sobra
A fábrica da Biomm é um marco importante. Inaugurada em 2024, ela representa a retomada da produção nacional de insulina, algo que não acontecia havia mais de 20 anos. Localizada em Minas Gerais, a planta tem capacidade para suprir toda a demanda nacional e ainda garante mais acesso ao medicamento por meio do SUS.
“Cada passo que tomamos é para ampliar o acesso à saúde, reduzir filas no SUS e gerar desenvolvimento”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Para ele, investir em tecnologia e conhecimento próprio é fundamental para construir um sistema de saúde mais forte e menos dependente do mercado internacional.
A próxima etapa: insulina glargina 100% nacional
Mas o plano não para por aí. Com a assinatura da parceria, o Brasil inicia o processo de transferência de tecnologia da Gan&Lee para Biomanguinhos, permitindo que, no futuro, a insulina seja inteiramente produzida em território nacional. Isso inclui até mesmo o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), componente essencial na fabricação do medicamento.
Esse IFA será produzido em uma nova fábrica da Fiocruz no município de Eusébio (CE), que será a primeira planta de produção de insulina da América Latina. Com investimento de mais de R$ 930 milhões do Governo Federal, a unidade vai transformar o Ceará em um polo estratégico para a saúde pública.
Nordeste no mapa da inovação
A escolha do Ceará para sediar essa nova planta é mais do que estratégica. Ela representa um forte incentivo ao desenvolvimento regional, levando empregos, tecnologia e inovação para o Nordeste, região historicamente fora do eixo principal da indústria farmacêutica.
Segundo o planejamento do governo, em até 10 anos, a produção poderá alcançar 70 milhões de unidades por ano, mais do que suficiente para atender a população brasileira que precisa da insulina glargina.
SUS e insulinas
Atualmente, o SUS já oferece quatro tipos de insulina gratuitamente: as humanas NPH e regular, além das insulinas análogas de ação rápida e prolongada. Agora, com a expansão da produção nacional, será possível melhorar ainda mais esse acesso. Inclusive, em novembro de 2024, a Conitec aprovou o uso das insulinas análogas para pacientes com diabetes tipo 2, ampliando a base de pessoas que podem se beneficiar com esse tratamento de ponta.
Caminho firme até 2033
Para o ministro Padilha, essa conquista não é pontual, mas parte de uma visão de longo prazo:
“Produzir no próprio país garante segurança, autonomia e sustentabilidade. Essa parceria com a China é só o começo de um futuro que já estamos construindo com base na soberania e no acesso à saúde de qualidade.”
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