Imagine um tratamento para o diabetes vindo de um lugar inesperado: o fundo do mar. Um grupo de cientistas está explorando o potencial de um veneno produzido por um tipo de caracol marinho, conhecido como caracol-cone, para revolucionar o controle do açúcar no sangue.
Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, investigaram a composição do veneno desse caracol e descobriram que ele contém uma substância surpreendentemente similar à insulina, o hormônio indispensável para o controle dos níveis de açúcar no sangue. Mas não é só isso: o veneno também possui elementos que podem bloquear a ação do glucagon, outro hormônio que atua de forma contrária à insulina, elevando o açúcar no sangue.
O que é o caracol-cone?
O caracol-cone é famoso por ser um dos animais mais venenosos do mundo. Ele usa seu veneno para paralisar suas presas antes de consumi-las. Mas, recentemente, pesquisadores descobriram que esse veneno pode ter outro uso, ainda mais surpreendente: ajudar no controle do diabetes.

No veneno desse molusco, os cientistas encontraram substâncias que imitam dois hormônios essenciais no controle do açúcar no sangue:
- Insulina: Esse hormônio ajuda a reduzir os níveis de açúcar no sangue. O veneno do caracol-cone contém uma substância similar à insulina, capaz de baixar rapidamente a glicemia.
- Somatostatina: este hormônio regula o açúcar no sangue bloqueando a liberação de glucagon, que aumenta os níveis de glicose. A consomatina, uma toxina do veneno, mostrou ser mais estável e específica do que a somatostatina natural, potencialmente permitindo um controle mais preciso e com menos efeitos colaterais.
O que isso significa para as pessoas com diabetes?
O diabetes é uma condição em que o corpo tem dificuldades para manter os níveis de açúcar no sangue numa faixa saudável. Muitos pacientes dependem de injeções diárias de insulina para controlar a glicemia.
A descoberta dessas substâncias no veneno do caracol-cone abre a possibilidade de desenvolver novos medicamentos, que poderiam ser mais eficazes e causar menos efeitos colaterais do que os tratamentos atuais.
Embora essas descobertas sejam promissoras, ainda há um longo caminho a percorrer antes que um tratamento derivado do veneno de caracol-cone esteja disponível para os pacientes. Os cientistas precisarão realizar mais estudos para entender exatamente como essas substâncias funcionam no corpo humano e, eventualmente, iniciar testes clínicos em pessoas.